Empresa flagrada pela PF mantinha contrato com governo do PT no Acre
Publicado por dconline em 7 de abril de 2011 às 11:28 | Comentários 0
O governo do Acre manteve até dezembro do ano passado contrato de R$ 8,7 milhões com a Agência de Desenvolvimento Educacional e Social Brasileira (Adesobras), um dos alvos da operação “Dejavu II”, deflagrada pela Polícia Federal na terça-feira (5), quando 16 pessoas foram presas no Acre, Santa Catarina, Distrito Federal e Mato Grosso.
Mariana Lisboa e Aberson Carvalho, ligados à Adesobras, uma Oscip (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público) do Paraná que atuava no Acre, estão presos sob acusação de desviar dinheiro público por meio de contratos.
O desvio de recursos públicos se dava por meio de contratos e parcerias firmados entre as Oscips Adesobras e Instituto Brasileiro de Integração e Desenvolvimento Pro-Cidadão (Ibidec) com prefeituras e governos dos cinco estados.
A PF estima que o montante desviado supera o valor de R$ 100 milhões. A PF informou dispor de provas de que R$ 16 milhões foram efetivamente desviados. Foram identificados superfaturamento de serviços, emissão de notas frias e simulação de contratos para desviar dinheiro público.
A Adesobras foi contratada em janeiro de 2010, durante a gestão do governador Binho Marques (PT). O contrato com a Oscip foi assinado pela secretária de Desenvolvimento para Segurança Social, Laura Okamura. Ela trabalhava em Londrina (PR), mas atendeu convite do então governador e começou atuando no Estado como diretora do Instituto de Administração Penitenciária.
O governo estadual contratou a Adesobras para “ações de apoio, assessoria técnica e consultoria à implementação do Programa de Inclusão Socioprodutiva por meio do Fortalecimento das Cadeias Produtivas Sustentáveis, Agricultura Urbana e Periurbana, Microfinanças Solidárias e de Economia Solidária”.
Além da secretária Laura Okamura, o contrato foi assinado por Robert Bedros Fernezlian, sócio da Adesobras, que elabora, gerencia, executa de programas de geração de emprego e renda, preservação ambiental, a pretexto de contribuir para o desenvolvimento social, econômico, educacional, cultural e de saúde.
No Acre, a Adesobras andou metida e até foi classifica em licitação para contratação de empresa especializada na prestação de serviço de produção e edição de publicação de livro referente à história das Políticas Políticas Socioeducativas no Estado.
A secretária Laura Okamura, que atraiu a Adesobras para o Acre, se indispôs com o então senador petista Tião Viana, atual governador do Estado. Em março, Viana determinou que a Adesobras fosse desclassificada quando voltou a concorrer em nova licitação para renovação do contrato.
O argumento usado pela Secretaria de Estado da Gestão Administrativa foi que a Adesobras não estava apta a realizar apoio operacional ao desenvolvimento de programas e projetos de segurança humana e social em consonância com as diretrizes do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania.
Na noite desta quarta-feira (7), a Secretaria de Comunicação divulgou uma nota anunciando que a Oscip investigada pela Polícia Federal teve seu contrato suspenso por ordem e determinação do governador Tião Viana desde janeiro deste ano para investigação de supostas irregularidades.
Segundo o governo, todas as medidas legais cabíveis estão sendo encaminhadas pela Procuradoria Geral do Estado, como o afastamento imediato dos acusados de envolvimento no desvio de verbas públicas.
- Todos os procedimentos que vierem ajudar na apuração serão empreendidos num esforço de combater qualquer dano ao erário – afirma a nota.
Fonte: Blog da Floresta
Arquivado em: Acre Manchete
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